A situação envolvendo a família Buss e a NBA está ganhando novos contornos. Adam Silver, o comissário da liga, deve intervir na disputa pela venda dos 17,8% que a família ainda possui do Los Angeles Lakers. Essa não é a primeira vez que a NBA entra no assunto; já existem regras que determinam quem pode governar a franquia, e agora a mediação se torna uma nova etapa nesse processo.
Quando falamos das formas que a NBA se envolve, temos três principais: a regra dos 15%, a ratificação e, agora, a mediação. A regra dos 15% é importante porque estabelece que, para uma pessoa assumir o cargo de governador de uma franquia, é necessário ter pelo menos esse percentual. Atualmente, a família Buss possui 17,8%, mas se os irmãos decidirem vender suas partes, Jeanie Buss, que é a única que ficaria com participação suficiente para manter o cargo, pode se ver em apuros.
Na prática, isso significa que a margem de segurança de Jeanie é bem apertada — apenas 2,8 pontos percentuais a se considerar. A NBA não costuma fazer exceções nesse tipo de situação.
Outro ponto essencial é a ratificação da venda, que precisa ser aprovada pelo Conselho de Governadores, composto pelos representantes dos 30 times. Isso foi o que aconteceu quando Mark Walter comprou a maioria das ações do Lakers. O mesmo terá que ocorrer com a possível venda feita por Bob Iger e Josh Kushner. Sem o aval dos donos, a venda permanece apenas no papel.
Agora, a mediação de Adam Silver é a novidade mais recente. Embora ele não tenha poder para anular a votação da família nem obrigar alguém a vender, ele pode intervir antes que a situação chegue ao tribunal. A NBA já tem um histórico de resolver conflitos de sócios longe dos holofotes, o que pode ser uma alternativa interessante para evitar um desgaste maior.
Vale destacar que a relação próxima de Adam Silver com Jeanie Buss pode influenciar muito essa mediação. Os irmãos que estão a favor da venda estão cientes disso e podem levar em conta a proximidade deles ao avaliar as sugestões que surgirem. Afinal, mediadores que não têm uma posição clara são raros em disputas desse tipo.
Um detalhe que costuma passar despercebido é o obstáculo legal que Jeanie Buss já enfrentou. Em 2017, após uma tentativa dos irmãos de removê-la do cargo, ela processou a família e conseguiu uma ordem judicial que lhe garante o controle vitalício do time. O advogado dela, Adam Streisand, argumenta que qualquer venda feita sem a assinatura de Jeanie é nula. Se essa tese for aceita, a NBA não terá o que ratificar.
Por enquanto, o processo não deverá ser rápido. A assembleia dos donos ainda não foi marcada, e esse tipo de ratificação pode levar semanas. A família Buss segue com seus 17,8% e Jeanie permanece no cargo, enquanto a mediação está em aberto, sem data ou obrigação de resultado. Assim, temos três frentes que estão lidando com a mesma questão: um tribunal na Califórnia, uma assembleia de donos e Adam Silver tentando evitar que a situação se agrave.