Luka Doncic e a estratégia ofensiva do Dallas Mavericks

O time que Luka Doncic teve em Dallas, que chegou às finais da NBA em 2024, foi o que menos exigiu dele em termos de uso ofensivo. Naquela campanha, o percentual de uso dele caiu para 33,4%, a menor marca desde que começou a jogar pelos Mavericks. E, curiosamente, foi a única vez que a equipe chegou tão longe, chegando às Finais. Agora, essa situação se torna um ponto de atenção para o Los Angeles Lakers na definição do quinteto titular para a temporada 2026-27.

Nos playoffs de 2024, Doncic teve um desempenho notável, mas com uma carga de uso bem menor do que em anos anteriores. Para se ter uma ideia, nos dois anos anteriores, ele foi o líder em uso ofensivo, com 40,4% em cada um. Além disso, o Dallas teve a sexta melhor defesa entre os 16 times classificados naquela pós-temporada, permitindo apenas 111,9 pontos a cada 100 posses de bola.

Analisando as campanhas de Doncic em Dallas, fica claro que há um padrão bem definido. Ele participou dos playoffs quatro vezes e, nas três primeiras, seu uso ofensivo ficou em torno de 39,8%. Nas edições de 2021 e 2022, ele liderou a liga em uso, mas em 2024, mesmo com uma caminhada mais longa, o percentual caiu. Foram 22 jogos, mas a eficiência dele foi diferente. Aqui estão os números das campanhas:

  • 2020: Eliminado na primeira rodada, com 37,5% de uso.
  • 2021: Também eliminado na primeira rodada, mas com 40,4% de uso e 35,7 pontos por jogo.
  • 2022: Parou na final do Oeste, mantendo os 40,4% de uso e 31,7 pontos por jogo.
  • 2024: Chegou às Finais, com 28,9 pontos e 8,1 assistências, mas o uso caiu para 33,4%.

Agora, vamos ao outro lado da quadra. Doncic é frequentemente visto como um jogador que não se destaca na defesa, e a sua imagem ficou ainda mais marcada após as Finais de 2024 contra o Boston Celtics. No entanto, é importante notar que a defesa do Dallas foi muito bem posicionada, com uma das melhores médias entre os 16 times. O comentarista Svyatoslav Rovenchuk destaca que um jogador que não gasta tanto tempo criando jogadas tem mais energia para se dedicar à defesa. Doncic, por exemplo, jogou 40,9 minutos por noite naquela temporada, o que é um grande volume, mas ainda assim conseguiu manter um padrão defensivo razoável.

Para a próxima temporada, o Lakers tem um elenco que pode ajudar a dividir essa carga com Doncic. Jogadores como Austin Reaves, Quentin Grimes e Collin Sexton têm potencial para iniciar jogadas. Reaves, em particular, já atuou ao lado de Doncic na temporada anterior. Sexton é um armador agressivo, enquanto Grimes é mais limitado nessa função. A questão é se eles conseguirão produzir o suficiente para aliviar a pressão sobre Doncic.

É interessante notar que, nos playoffs de 2025, Doncic teve um uso ainda menor, de 32,4%, o que é uma queda significativa em relação ao que ele costumava apresentar em Dallas. Embora essa amostra seja pequena, dá uma ideia de como a dinâmica da equipe pode mudar.

Entretanto, existem algumas ressalvas que precisam ser consideradas. A primeira é que um alto percentual de uso não é garantia de sucesso, como visto em 2022, quando Doncic teve 40,4% de uso e mesmo assim levou o Dallas até a final do Oeste. A segunda ressalva é que a queda no uso em 2024 não foi uma decisão estratégica, mas sim uma questão de ter Kyrie Irving ao lado dele, o que acabou diminuindo sua carga.

A temporada que se inicia em outubro promete ser interessante. A grande dúvida não é se Doncic consegue sustentar o ataque, pois ele já demonstrou que é capaz. O desafio é saber se o time ao redor dele conseguirá reduzir a carga de uso sem perder eficiência. Isso deve ficar claro logo nos primeiros jogos, principalmente ao observar quem assume a responsabilidade de conduzir a bola após um pedido de tempo. Será um bom termômetro para ver se o Lakers entendeu a lição que Dallas deixou.

Sobre o Autor

Lucas Andrade