LeBron James fecha acordo de US$ 300 milhões com Mark Walter

Em 2018, LeBron James decidiu tomar um empréstimo considerável de quase US$ 300 milhões, poucos meses antes de se juntar ao Los Angeles Lakers. Essa quantia foi levantada através de títulos emitidos pela sua empresa, a King James Funding. A operação chamou a atenção na semana passada, quando a Bloomberg revelou os detalhes, que envolvem seguradoras ligadas a Mark Walter, o atual proprietário do Lakers.

Os documentos mostram que não há conexão direta entre esses títulos e a investigação federal que está acontecendo em relação a Walter. O empréstimo foi garantido principalmente pela receita que LeBron gera fora das quadras, especialmente por meio de um contrato vitalício com a Nike. Os papéis de 2018 têm uma taxa de juros de 4,8% ao ano e só vencem em 2049.

Como funciona a operação?

Essa modalidade de empréstimo é conhecida como securitização. Na prática, em vez de esperar que o dinheiro dos patrocínios entre ano a ano, o atleta cria uma empresa, promete a ela a receita futura e vende papéis que garantem esse valor. Dessa forma, quem compra os títulos recebe juros ao longo de décadas, enquanto o atleta recebe uma quantia significativa de uma só vez. É uma maneira de antecipar recursos sem precisar abrir mão de participações em seus negócios.

LeBron fez isso em 2018 e, em agosto de 2022, as mesmas seguradoras compraram mais US$ 60 milhões em uma segunda emissão, com juros de 5,75% e um prazo de 34 anos. Ao todo, até o final de 2025, cerca de US$ 245 milhões ainda devem constar nos balanços das seguradoras.

O papel de Mark Walter

Walter, que lidera a Guggenheim Partners, foi o responsável por assessorar as seguradoras que adquiriram os títulos. É importante lembrar que, em 2018, ele ainda não tinha nenhuma relação com o Lakers. Walter comprou a equipe em 2025 por US$ 10 bilhões e, um ano depois, vendeu por US$ 12,5 bilhões, estabelecendo um novo recorde na liga.

Embora Walter esteja sob investigação federal por possíveis operações entre suas empresas, a Bloomberg esclareceu que os títulos de LeBron não fazem parte dessa apuração. A cronologia mostra que os papéis foram emitidos anos antes de Walter se envolver com o Lakers, e a relação entre eles é bem mais distante do que pode parecer.

Reação de LeBron

Quando a Bloomberg entrou em contato, um representante de LeBron afirmou que as operações passaram por análises de crédito independentes e que a transação de 2022 teve a aprovação da NBA. Ele destacou que essa estrutura é comum para alguém com o patrimônio de LeBron e que ele não tem qualquer ligação direta com a Guggenheim além do que foi estabelecido nas operações.

O fato de esses documentos estarem agora sendo analisados se deve a dois motivos: os registros das seguradoras são públicos e, com a atenção em Walter, a história de LeBron acabou sendo reexaminada. Para o Lakers, no entanto, essa situação não deve ter impacto prático. LeBron já se transferiu para o Philadelphia e a operação de 2018 ocorreu antes das recentes movimentações.

No final das contas, o que realmente impressiona é o valor levantado: US$ 360 milhões em duas emissões, com um prazo de pagamento que se estende até 2049, baseado em receitas que ainda nem foram geradas.

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Lucas Andrade