O que mudou na troca de proprietário

A reforma na diretoria do Los Angeles Lakers está em um verdadeiro impasse, e a situação não parece ter um desfecho à vista. Embora a equipe tenha negado que as contratações estejam congeladas, a verdade é que nenhum cargo importante nas operações de basquete está sendo preenchido enquanto a situação de controle da franquia não se resolve. Isso ficou ainda mais evidente com a saída do executivo responsável pelas finanças do time. Curiosamente, nem todos dentro da organização lamentaram essa mudança.

Em menos de dezoito meses, o Lakers já passou por três grupos de controle diferentes. Nesse período, apenas uma contratação foi anunciada: a de um produtor de vídeo. Enquanto isso, o valor para a compra do controle por Bob Iger e Josh Kushner gira em torno de US$ 12,5 bilhões. Lon Rosen, que fez história nos Dodgers, agora está à frente dos negócios do Lakers. Ele atuou por mais de dez anos na equipe de beisebol e trouxe sua experiência para o basquete.

A situação atual é bem complicada. O repórter Dan Woike, do The Athletic, traz um retrato de uma franquia parada, como se estivesse em meio a uma reforma inacabada. Embora o Lakers tenha publicado uma vaga para produtor de vídeo, o verdadeiro problema está em níveis mais altos. Fontes da organização revelam que os cargos mais relevantes em operações de basquete não estão sendo ocupados. Mesmo que alguns dentro do Lakers rejeitem a ideia de um “congelamento”, muitos concordam que seria um erro realizar contratações significativas neste momento. O que está em jogo aqui não é apenas dinheiro, mas a falta de uma direção clara.

Antes, com Mark Walter, havia um histórico a ser seguido, especialmente o sucesso dos Dodgers. Já Iger e Kushner não têm experiência na gestão de um time de basquete. As dúvidas giram em torno da nova filosofia que eles pretendem adotar. Será que eles vão continuar o trabalho de montar uma nova diretoria ou vão optar por cortar custos, como fez Tom Dundon ao assumir o Portland?

Outro ponto interessante é que, quando Walter comprou o controle do Lakers, a promessa era transformar a equipe em uma versão do sucesso dos Dodgers. O processo estava em andamento, com contratações seguindo essa linha. Lon Rosen, que já teve um papel fundamental nos Dodgers, se envolveu bastante nas reuniões, mesmo com a venda em curso. A repórter Ramona Shelburne, da ESPN, mencionou que essa “Dodgerização” deve continuar, o que pode significar novas contratações ou simplesmente a continuidade do que já estava sendo feito.

Woike acrescenta um detalhe que pode mudar a percepção sobre a situação. Aparentemente, algumas pessoas dentro da franquia estão aliviadas com a perspectiva de uma nova gestão, pois a influência dos Dodgers na forma como os analytics eram tratados gerava um certo desconforto entre os membros da equipe de basquete e até no vestiário. Isso levanta questões sobre o que se passa nos bastidores: será que esse alívio é um sinal de que as pessoas não estavam satisfeitas com o processo anterior? Ou talvez seja apenas um otimismo cauteloso em meio a uma transição complicada?

Com a temporada se aproximando rapidamente, a pressão está aumentada. O training camp abre em cerca de um mês e a temporada se inicia em outubro. O clima já estava tenso e a equipe ainda tem uma vaga de titular em aberto. Uma diretoria sem poder de decisão também não pode fazer trocas com confiança, e isso explica por que essa vaga permanece em aberto enquanto o mercado vai se fechando. Além disso, a venda da franquia ainda está envolta em questões judiciais, o que pode atrasar ainda mais a clareza sobre o futuro do Lakers.

É uma situação peculiar: a franquia mais valiosa do basquete americano começará a temporada com um elenco montado, um técnico definido e seu astro em alta, mas com a diretoria em um compasso de espera, dependendo de um documento que ainda não foi assinado. Quem já passou por um processo de venda em uma empresa sabe bem como é a sensação de incerteza que permeia os corredores.

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Lucas Andrade