O que ver no Pré-Olimpico das Américas

Hoje começa o pré-olimpico de basquete masculino das Américas. As seleções que alcançarem a final reservam as passagens para o Rio de Janeiro em 2016. O Brasil, por ser país sede, não entra nesta conta, apesar de levar um chá de cadeira e (justificada) má vontade  da FIBA quanto a confirmação da vaga. Será a primeira vez nos últimos dezesseis  anos que o basqueteiro que acompanha a seleção poderá assistir a competição de maneira mais relaxada. Quem acompanhou  o martirio  de 1999, 2003, 2007 e 2011  que o diga. Apesar disto, e  de ser quase sempre ignorado pela principal potência do continente (os norte -americanos bem que poderiam mandar um time alternativo, estilo aquele dos Jogos Panamericanos, mas nem isso têm feito), o torneio, que será realizado na Cidade do México, tem muita coisa interessante – o monitoramento do que a seleção brasileira  irá enfrentar nas próximas disputas continentais,  a principal delas.  As outras, você confere abaixo.

Canadá, finalmente (quase) completo: Não resta dúvida que a seleção canadense  é o time mais badalado deste  pré-olimpico. A expectativa em cima deles é grande, já que  apresentam um cartel incomum para as seleçoes da região  – são 8 jogadores da NBA, sendo que  3 ( Andrew Wiggins, Anthony Bennett e Nik  Staukas) foram escolhas  “top 10” em seus drafts (  Benett e Wiggins foram os primeiros a serem recrutados nos drafts de 2013 e 2014 respectivamente). Estes números poderão ser um pouco maiores quando Thristan Thompson retornar a seleção e Jamal Murray , calouro de Kentucky na NCAA, mantiver as projeções  que se tem feito sobre ele . É o time a ser visto e um dos favoritos a vaga.

Renovação Interessante

Será dificil a Argentina ter uma geração igual ou parecida como aquela que conquistou o ouro olimpico em 2004, mas finalmente a renovação começa a acontecer no país vizinho. Nicholas Laprovittola, Facundo Campazzo e Marcus Delia,  são nomes que  ganham cada vez mais protogonismo a cada convocação. A eles devem se juntar em breve  Gabriel Deck, Nicolas Brussino e Patricio Garino ( Olho nele!). Para supervisonar a transição, Luis Scola, Andres Nocioni e o técnico Sergio Hernandez, todos medalhistas olimpicos dão o suporte. Talvez um dos  últimos serviços que a   “A Geração Dourada” prestará ao basquete argentino.

Desfalques Importantes

 Um garrafão formado por Al Horford e Karl- Anthony Towns seria algo fantastíco para os dominicanos – uma seleção que após a passagem de Jonh Calipari por lá, sempre tem se apresentado bem nos torneios continentais – porém nem um nem outro estará presente. Assim o técnico Kenny Atikson, que faz parte do staff  de Mike Budenholzer em Atlanta, estruturou seu time em volta dos veteranos Francisco Garcia, Edgar Sosa e Luis Flores. Completa, poderia sonhar até com uma  vaga direta. Com os pés no chão, deve lutar por uma vaga no pré-olimpico mundial do próximo ano. No último corte, um dos limados foi o armador Ronald Ramon, que defende o Winner/Limeira no NBB.

Luz nas Trevas.

Os boricuas são notoriamente conhecidos pelo seu “basquete alegria ” ( ou peladeiro mesmo). A chegada de Rick Pitino em Porto Rico é o contraponto a este caos. O sistemático treinador, conhecido pelas defesas sufocantes que seus times apresentam na NCAA, terá um desafio imenso pela frente. John Peter -Ramos, Rick Sanches e mais recentemente Maurice Harkeless serão desfalques importantes. Apesar da presença de Pitino já surtir alguns efeitos – o volume de bolas de 3 pontos tresloucadas diminuiram – na copa Tuto Marchand, contra o Brasil foram 13 arremessos ( 2 certos), 16 (9 certos) contra a República Dominicana e 28 ( uma recaída – 6 certos) contra o Canadá. Deve lutar por uma vaga no pré-olimpico mundial, embora continuem sendo imprevisíveis.

Anfitriões confiates.

Atuais campeões continentais, os mexicanos confiam que jogando em casa podem repetir o feito de 2013 e voltar aos Jogos Olímpicos 40 anos depois ( a última participação foi em Montreal/1976). Donos de uma tradição perdida no passado do basquete das Américas – têm  uma medalha olímpica  ( bronze em 1936, em Berlin) e  o primeiro jogador não americano, atuando em uma liga fora dos EUA a ser draftado pela NBA  era mexicano( Manuel Raga Navarro, no draft de 1970). Gustavo Ayon, recém campeão europeu pelo Real Madri,  e seus companheiros querem provar que o título na Venezuela não foi um acidente. Serão adversários duros.

Em Alta.

O Brasil, que encara o torneio como treino de luxo, atenção no desempenho de Vitor Benite e Augusto Lima. Em alta no mercado depois do Pan – Benite descolou uma transferência para a Europa e Augusto Lima anda no radar da NBA –  a dupla pode garantir  desde já a  presença no grupo que disputará as Olimpiadas em 2016. Serão os condutores do Brasil neste pré-olímpico.

Ex-NBB.

A seleção do Panamá não deve assustar, mas terá dois jogadores que já passaram por aqui. Josimar Ayarza, ala que defendeu o Bauru no NBB 6 e atualmente no basquete mexicano e o baixinho Joel Munoz, que passou pelo Saldanha da Gama e Liga Sorocabana e hoje bate sua bola em quadras da Nicarágua.

Palpite.

Como palpitar não custa nada, vamos de palpite de segurança: Canadá e Argentina.

 

 

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Luiz Gomes

Luiz Gomes

Viciado em qualquer tipo de basquete e ex mão de pau de rachão.

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