Mais importante que o Título

O Flamengo ganhou a o campeonato de basquete mais importante de sua história, com uma vitória incontestável e implacável sobre o Maccabi. Não vou entrar no mérito da discussão chata se o título deve ser chamado de Mundial, Intercontinental, Desafio ao Galo ou qualquer outra coisa. Acho que houve coisas mais importantes (como o basquete apresentado pela equipe rubro negra, intenso e competitivo) do que discutir o valor da conquista. Vamos a elas.

Defesa forte: A defesa rubro-negra mostrou um grau de intensidade que por um bom tempo (mas muito tempo mesmo!) não dava as caras por aqui. Não chegou a ser sufocante e até sofreu em jogadas de 1 x 1, mas fisicamente o Flamengo não deixou os israelenses/americanos se imporem, o que era algo que causava preocupação. O posicionamento também foi acima da média do que estamos acostumados a ver por aqui (e tem gente que ainda acha que defesa é só vontade e preparo físico e não treino…), apesar da dificuldade em se defender o pick-and roll – Por algumas vezes, Jeremy Pargo chutou sem contestação quando acontecia a jogada, observação feita pelo Felipe Mellini, parceiro aqui do Mondo. Na soma dos dois jogos o Flamengo não deixou o Maccabi incomodar nos rebotes ofensivos (dos 61 rebotes gerados em sua tábua defensiva, o time carioca apanhou 46), teve em Meyinsse um grande protetor de aro – foi o único jogador do Flamengo a bloquear arremessos (4 tocos nos dois jogos contra 6 do oponente) e forçou o adversário a cometer 22 erros (o ataque flamenguista teve19 desperdícios). No número de bolas roubadas, houve empate: 11 para cada lado. Espero que essa postura não seja apenas o efeito da adrenalina destes dois jogos e que continue nas demais disputas. Seria algo de valor na ainda pobre história tática do NBB. Mérito gigantesco de José Neto.

Sozinho: É inegável a marca de maior apelo do NBB é o Flamengo. Quem poderia ser um concorrente a altura seria o Palmeiras (sim, clubes ligados ao futebol sempre levarão vantagem quando o quesito for “chamar a atenção”), mas devido ao momento turbulento pelo qual passa o clube alviverde, o basquete não deve estar na pauta de suas prioridades. O maior mérito de Marcelo Vido, homem forte dos esportes olímpicos do Flamengo, foi aliar a força da marca com boas práticas de gestão. Contratações certeiras (Meyinsse, Laprovittola e Herrmann) e independência orçamentaria em relação ao futebol são as provas disto. Os amistosos nos EUA, pelo menos, devem fazer o time ficar conhecido no cenário do basquete mundial. Hoje o Flamengo navega solitário, em um território onde os demais concorrentes do basquete nacional ainda estão longe de chegar. Como disse o jornalista Guilherme Giavonni, via Twitter, que isto sirva de incentivo para todos melhorarem.

Vitor Benite: Talentoso, ele é um dos jogadores mais intrigantes do basquete nacional. Já até viveu um período decidindo em que posição jogaria – de armador ou escolta e até de time trocou, foi de Franca para Limeira, devido a isso. Já a algum tempo, ele carrega a incógnita de qual nível de basquete ele realmente conseguirá jogar. Depois de atuações modestas com a seleção na Copa América em 2013 e no Sul Americano deste ano (o qual passou a maior parte de tempo contundido) as dúvidas estavam caminhando para a certeza que Benite seria apenas um jogador para o nível doméstico. Porém, nestes dois jogos, toda vez que entrou, o Flamengo mudou de ritmo e coisas boas aconteceram. No jogo de domingo, sua defesa em cima de Pargo no último quarto, foi agressiva e consistente. Claro que duas partidas são insuficientes para dissipar a dúvida de até aonde seu jogo irá, mas pelo menos ainda a mantém.

Precisa revelar: A formação de qualquer elenco, teoricamente obedece a um tripé: Jogadores do mercado local, estrangeiros e jogadores revelados. Neste último item o Flamengo tem deixado a desejar, mesmo o clube tendo vencido duas das três edições da liga de desenvolvimento. Não tem aparecido nenhum jovem, oriundo das categorias menores, que tenha participação efetiva na rotação. Aliás, alguém se lembra do Fred “Varejinho” Duarte, destaque da campanha do primeiro título da LDB? Por onde anda?

Intercambio não pode parar: Ter times europeus jogando no Brasil depois de um longo hiato é algo muito bom e deve ser mantido (clubes brasileiros irem para lá também seria importante). Que isso não fique condicionado apenas à disputa da Copa Intercontinental/Mundial, pois não há garantia que os times brasileiros irão vencer a Liga das Américas sempre, e que mesmo que isso se torne frequente, também é possível que outras praças se interessem pela disputa, ainda mais se o número de participantes aumentar. Na semana passada, tivemos a disputa da Copa Euramericana, com a participação do Baskônia, que veio jogar na Argentina, contra o Penarol de Mar Del Plata e no Uruguai, onde enfrentou o Aguada, e do Real Madrid, foi até Porto Rico enfrentar o Cangrejeros e depois deu um pulo até a Colômbia, para encarar a equipe do Guerreros. Uma pena nenhum time brasileiro ter participado.

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Luiz Gomes

Luiz Gomes

Viciado em qualquer tipo de basquete e ex mão de pau de rachão.

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