Mondo Entrevista: Murilo Becker

Murilo Becker é um dos melhores jogadores do Brasil. Ala-pivô de primeiríssima qualidade com passagens pela seleção brasileira e basquete europeu é o nosso primeiro entrevistado da seção “Mondo Entrevista”.

Crédito: Caio Casagrande
Crédito: Caio Casagrande

Nessa entrevista, o gaúcho de Farroupilha falou sobre seu retorno ao time de Bauru, seleção brasileira, a curta passagem pelo Maccabi Tel-Aviv e claro, a ansiedade pelo nascimento dos quadrigêmeos, que devem chegar nas próximas semanas!

Confira como foi o nosso papo:

1Como foi pra você retornar nessa temporada pra Bauru, a cidade onde você despontou pro Basquete?

Fiquei muito feliz por voltar para o Bauru Basket. Criei uma expectativa muito grande e a torcida de Bauru é uma torcida vibrante, muito apaixonada. E acho que fui bem, até por ser o primeiro ano, um ano de adaptação, porque foram três anos em São José jogando com os mesmos jogadores. Agora cheguei a Bauru e mudei até de posição dentro da quadra, mas fiquei muito feliz. Meu maior título na temporada foi não sofrer lesões. Eu vinha de lesão e isso gerava dúvidas em algumas pessoas. Muitos perguntavam se eu ia me machucar, já que nos dois anos anteriores não tive muita sorte, então, fiquei muito feliz, pois eu sabia que não era um jogador que vivia machucado, mas faltava sorte. Gostei muito de ter retornar. Saí campeão de Bauru e voltei campeão (Paulista). Foi uma ótima temporada e não tenho dúvidas de que nas próximas vamos melhorar ainda mais.

2- Como você avalia a temporada do Bauru no NBB? Ficou a sensação de que vocês poderiam ter chegado mais longe?

A temporada foi boa porque ganhamos um título. O Paulista foi muito bom para nós e ainda ficamos em terceiro na Sul-Americana, uma boa campanha. No NBB nós poderíamos, sim, ter ido mais longe. Talvez o começo do campeonato, com jogos no mesmo horário das partidas decisivas do Paulista, foram ruins, pois tínhamos que optar pelo Campeonato Paulista, já que brigávamos claramente pelo título, e depois correr atrás. Eu vi que ao final da fase de classificação no NBB, por causa de uma vitória a menos não melhoramos nossa posição na classificação geral. Corremos atrás durante toda a competição e acabamos cruzando com o Flamengo. Claro que não era o nosso objetivo. A gente sabe que, para conquistar o título, temos que vencer qualquer equipe, mas se enfrentássemos o Flamengo numa decisão seria melhor, creio que todos pensam assim. Isso serve para aprendermos a focar nos dois campeonatos, principalmente no NBB.

3- A torcida de Bauru é uma das mais fanáticas do NBB. Como você avalia essa participação e interação da comunidade bauruense com o basquete e como isso ajuda vocês em quadra?

A torcida sempre ajuda, né? A torcida de Bauru é fanática e estava com saudade de levantar um caneco. Agora para nós virou obrigação sempre vencer campeonatos. O torcedor é o sexto jogador do time. Estou passando minhas férias em Bauru e todos na cidade, nas ruas, falam da temporada, dos jogadores que estão sendo contratados agora para os próximos desafios. A cidade respira, de fato, o basquete. E queremos cumprir um bom papel para satisfazer todo mundo.

4- O Bauru é reconhecidamente uma das equipes com o melhor projeto do NBB. Qual é a diferença em ter um patrocinador forte e que abraçou o basquete como o Paschoalotto?

O Rodrigo Paschoalotto é fantástico como pessoa e como profissional. Ele tem uma visão diferente das pessoas com as quais já trabalhei. Na apresentação do Alex Garcia, um repórter perguntou ao Rodrigo até quando ele pretendia manter o patrocínio, manter o projeto do Bauru Basket e ele respondeu que, se depender dele, até 2030. Então, ele é apaixonado por esporte, abraçou a ideia e, como faz com a sua empresa, busca o melhor para o time, para o basquete. Vejam a estrutura que ele está montando, com o time formado e outras pessoas contratadas que fazem parte do Bauru Basket. O time também está formando novos talentos na base e dará muito orgulho não apenas para a cidade de Bauru, como para o basquete brasileiro.

5- Com as chegadas de Alex Garcia e Robert Day, o Bauru estará ainda mais forte para a próxima temporada do NBB. Qual sua expectativa para a próxima temporada do nacional?

Minha expectativa é a melhor possível. Saíram grandes jogadores, mas estão chegando grandes atletas também, como o Alex Garcia, um jogador de seleção brasileira, e o Robert Day, um dos melhores estrangeiros que tem atuado no Brasil nos últimos anos. A expectativa é disputar uma final de NBB e queremos ir longe. Somos uma das melhores equipes do Brasil hoje, mas queremos ser a melhor e faremos o possível e o impossível para isso acontecer.

6- O NBB caminha para sua 7ª Edição e você participou de todas as edições. De 2008 pra cá, o que mudou?

O NBB está muito legal, vem crescendo a cada ano. De 2008 para cá algumas coisas importantes aconteceram. Temos TV aberta, repatriamos vários jogadores importantes e há uma grande quantidade de estrangeiros por time, algo que aumenta muito o nível de competição. Isso faz com que na base e na seleção todos treinem mais. Em 2008, nós sabíamos quais equipes chegariam numa semifinal, numa final. Hoje, não. Nas últimas rodadas da fase de classificação você não sabe quem será o segundo, o terceiro, nem quem será rebaixado, e nem, ainda mais, quem fará a final lá na frente. A questão do rebaixamento também achei muito interessante, para que todos os times se esforcem e mantenham a adrenalina até o final.

Crédito: Caio Casagrande
Murilo enterrando na partida contra o Mogi das Cruzes. (Foto: Caio Casagrande)

7- Você tem esperança de ser lembrado pelo Magnano para disputar o Mundial da Espanha?

Claro que sempre tenho esperança de ser convocado. Mas se não for, não posso desanimar. Meu último ano na seleção foi 2010, quando fui MVP no Sul-Americano e fiquei muito feliz, além de disputar o Mundial. Mas trabalho para ser convocado também. Quem sabe eu possa ser e estou muito feliz pelo basquete que venho demonstrando. Não crio muita expectativa, mas estou num momento diferente de minha vida, prestes a ver o nascimento dos meus filhos e isso tudo me motiva.

8- Qual sua avaliação sobre o atual momento da seleção brasileira e o que você espera do Brasil no Mundial?

Nosso basquete teve altos e baixos de uma forma muito rápida. Fomos para a Olimpíada depois de muitos anos e fizemos uma boa campanha. Por causa de detalhes não fomos mais longe, mas todo mundo saiu muito satisfeito. Mas depois já não tivemos muito sucesso, como no último campeonato disputado. Acho que esse ano todo mundo virá. Os atletas que jogam a NBA são diferenciados lá e isso torna a seleção brasileira muito mais forte. Espero que a gente vá muito bem, até porque teremos Olimpíada no Brasil em 2016 e eu acredito em medalha para o basquete brasileiro.

9- Murilo, como foi sua estadia pelo Maccabi Tel Aviv (estrutura, torcida, relação do israelense com o basquete)? Algum arrependimento por não ter ficado mais tempo lá?

O Maccabi é fora de série. A estrutura é impressionante. O Ginásio, com capacidade para 12 mil pessoas, é impecável, com academia, vestiários lindos, tudo planejado e pensado com muito carinho. Na Euroliga o país inteiro acompanha dentro e fora do ginásio. Quando lá estava, nas finais da Euroliga, em Madri, fazíamos uma reunião numa sala do hotel e ela teve que ser interrompida devido à quantidade de israelenses, de torcedores do Maccabi de amarelo e azul chegando ao hotel e gritando o nome do time. Foram momentos especiais e que jamais esquecerei. E o basquete israelense é muito forte. Eu achava que era só o Maccabi, mas não é, são vários times e jogadores espetaculares. Não tive muita sorte lá, apenas. Tive alguns problemas na Bulgária, onde não me adaptei e quando voltei para Israel o time já estava montando, já estava até nas finais da Euroliga. O Campeonato de Israel já estava quase no fim também, então, não deu certo. Eu tinha um sonho muito grande de atuar fora, mas acabei voltando para o Brasil. Aí temos que viver o presente, não pensar no passado, nem no futuro, e acho que estava escrito, porque fiz ótimas temporadas assim que retornei.

10- E agora falando um pouco sobre sua vida pessoal. Sei que você já é pai, mas qual foi sua reação ao receber a notícia de que seria pai de quadrigêmeos e como estão os preparativos para a chegada deles? Algo único, não?

Ser pai é sensacional. Com os quadrigêmeos chegando e somando cinco (Murilo já tem uma filha), nossa, estou muito feliz. Desde o comecinho a gente ficava imaginando as coisas, mas acho que a ficha não caiu até agora. Minha esposa completa agora 29 semanas e eles devem nascer entre 30 e 31 semanas. Estou vivendo uma final de campeonato, confesso. Torço todos os dias para que ocorra tudo bem, porque a gente sabe que não é uma gravidez normal, e sim de risco. Mas sei que no final dará tudo certo. No começo nós fizemos um exame de sangue, dois dias depois de sermos campeões paulistas, e achávamos que fossem gêmeos. Depois da carreata que tivemos em Bauru, fizemos o ultrassom e víamos três bolinhas, então já mudou: Trigêmeos!!! Na noite de Natal, no Rio Grande do Sul, minha esposa passou mal, teve muito sangramento. Estávamos em Pelotas e no hospital público que conseguimos uma vaga o aparelho de ultrassom estava quebrado. Foram momentos complicados, mas falava com nossos filhos na barriga dela dizendo que  poderiam ficar tranquilos, pois assim que chegassem, nós daríamos conta de tudo. Voltamos para Bauru e, em uma semana, ela teve outro sangramento forte. Ficamos 15 dias no hospital, e eu sempre com ela. Depois dos 15 dias, voltamos para casa, onde ela ficou uns 10 dias sem levantar e teve outro sangramento. Aí ligamos para o médico, que pediu exames em outro lugar. Foi quando descobrimos que seríamos pais de quadrigêmeos. E eu pensei: quem cuida de três, cuida de quatro também! (risos). Mas é um momento incrível, estamos super felizes, até porque é gostoso demais vê-los, já que temos ultrassom quase todos os dias. Estou ansioso, mas Deus é muito bom para mim e já preparou tudo isso. Jajá a casa estará lotada com as crianças brincando, correndo, para que eu possa jogar por eles em todos os jogos.

 

About the Author

Jadiel Santana

Jadiel Santana

Alucinado por basquete, ex jogador frustrado e metido a treinador.

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